O motorista do ônibus clandestino que se envolveu em um acidente com cinco mortos e dezenas de feridos na BR-251 foi denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais por homicídio qualificado. O ônibus seguia de Arapiraca (AL) para Itapema (SC) e tombou na Serra de Francisco Sá, em janeiro deste ano.
Na época, a polícia informou que o veículo apresentou um problema nos freios. O motorista e proprietário do ônibus fugiu após o acidente e se apresentou na delegacia dois dias depois. No depoimento, ele confessou que tinha conhecimento da situação dos freios.
Segundo o MPMG, o acusado assumiu o risco de matar (dolo eventual) ao seguir viagem com o sistema de freios gravemente comprometido.
“Horas antes do tombamento, passageiros o advertiram sobre falhas mecânicas, mas o denunciado ignorou os alertas, não providenciando os reparos necessários”.
Ainda de acordo com o MPMG, o laudo pericial apontou que as lonas de freio traseiras estavam totalmente desgastadas, em situação de “ferro com ferro”, fazendo com que as rodas girassem livremente.
“Mesmo ciente de que conduzia um ônibus com problemas sérios de segurança, o denunciado prosseguiu com a viagem apesar do risco concreto à vida e à integridade física dos passageiros”, afirmou o promotor de Justiça João Henrique Moreira da Conceição.
Para o Ministério Público, a investigação demonstrou que o motorista do veículo cometeu o crime por motivo torpe, “priorizando o lucro em vez da segurança, em meio que resultou em perigo comum, uma vez que conduziu veículo de grande porte avariado, com dezenas de passageiros, em trecho de serra e sob chuva”.
Na denúncia, o MPMG pede que o motorista vá a júri popular, seja condenado por homicídio qualificado e sentenciado ao pagamento de indenização superior a 50 salários mínimos aos parentes das vítimas fatais.
Entenda o acidente
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, as informações preliminares apontam que o ônibus apresentou problema no sistema de frenagem em um trecho de declive e curva. O motorista não conseguiu reduzir a velocidade e tombou às margens da pista, na altura do km 474,8. O veículo seguia do município de Arapiraca (AL) para Itapema (SC).
Cinco passageiros, entre eles um bebê, morreram no local do acidente. De acordo com o Corpo de Bombeiros, nove pessoas foram socorridas com múltiplas fraturas e escoriações diversas. Outras 34 não sofreram lesões ou apresentavam ferimentos de menor gravidade.
Ao todo, 43 pessoas receberam atendimento médico e até a manhã desta sexta-feira (23), 7 pessoas permaneciam internadas em dois hospitais de Montes Claros.
Os corpos das vítimas foram identificados e liberados do Instituto Médico Legal na tarde desta quinta-feira (22).
Ônibus era clandestino
Em nota, A Agência Nacional de Transportes Terrestres informou que o ônibus não possuía autorização para a realização de transporte rodoviário interestadual de passageiros.
“Tanto o veículo, quanto a empresa responsável, não estão regulares junto à ANTT para a prestação desse tipo de serviço, o que caracteriza a operação como transporte clandestino”, diz um trecho da nota.
Ainda segundo a ANTT, o veículo foi autuado aproximadamente 30 vezes entre os anos de 2025 e 2026, sendo que 25 autuações foram por evasão de postos de pesagem e cinco estão relacionadas ao transporte rodoviário, incluindo irregularidades em equipamentos obrigatórios e a realização de transporte sem a devida autorização.
O veículo também foi apreendido em outubro de 2025, em decorrência das irregularidades constatadas à época.
Na época, o g1 Alagoas procurou a Dinho Turismo, responsável pelo veículo, e não obteve retorno.
Fonte: G1 Grande Minas







