Pesquisa indica maior tendência de crescimento dos pequenos negócios em julho

Crescimento do Iscon, índice que mede a confiança do segmento, foi puxado, principalmente, pelas expectativas do Comércio

Pelo terceiro mês consecutivo, o Índice Sebrae de Confiança dos Pequenos Negócios (Iscon) apresentou crescimento, puxado, principalmente, pelas expectativas dos empresários do Comércio. Em julho, o indicador ficou em 119 pontos, 4,7 acima do registrado em junho. O crescimento acumulado desde abril deste ano é de 30 pontos.  O resultado da pesquisa Iscon indica tendência de leve melhora da situação econômica para os próximos meses.

De acordo com a pesquisa, que ouviu 2.442 empresários entre os dias 8 e 22 de julho, o Índice de Situação Esperada (ISE) aumentou quatro pontos em relação a junho (133 para 137). Já a avaliação dos empresários em relação ao momento atual, medida pelo Índice de Situação Recente (ISR), subiu seis pontos em comparação ao mês anterior, porém foi bem menos favorável (passou de 78 para 84).

O ISE tem peso duas vezes maior que o ISR na composição do Iscon, influenciando mais nesse termômetro que mede a confiança dos pequenos negócios do estado.  “Os empresários, embora ainda sintam os reflexos da crise, principalmente em relação à queda do faturamento, esperam melhoras no cenário geral da economia nos próximos meses”, reforça Afonso Maria Rocha, superintendente do Sebrae Minas.

A Construção Civil, que em julho registrou o seu segundo maior ISCON deste ano (125), mantendo a posição de setor mais confiante, é um dos setores mais otimistas em relação às condições para os próximos três meses, medido pelo ISE, porém esse indicador apresentou queda de três pontos (de 144 para 141). Já o ISR da Construção Civil subiu 12 pontos em julho, passando de 82 para 94, indicando uma melhor avaliação dos empresários em relação ao trimestre anterior.

“Apesar do crescimento da demanda para pequenas obras e no setor imobiliário, com muitos lançamentos, o aumento dos custos do setor e das taxas de juros pode estar impactando negativamente as expetativas para os próximos meses”, justifica Rocha.

Em julho, o acumulado dos últimos 12 meses do Índice Nacional da Construção Civil, que mede os custos do setor, era de 22,60%, o maior da série histórica, puxado principalmente pelo aumento dos preços dos materiais de construção.  Já a taxa de juros básica da economia, a Selic, sofreu quatro aumentos desde o início de 2021, quando ainda estava em 2% ao ano.

Comércio mais confiante

O Comércio ficou em segundo lugar no ranking geral dos setores no Iscon, com 122 pontos.  Foi o setor que mais influenciou o resultado geral do Iscon em julho, com um aumento de 11 pontos em relação a junho.

É a quarta alta consecutiva do indicador do Comércio, acumulando um crescimento de 35 pontos de março a julho. O setor registou crescimento de 13 pontos no Índice de Situação Esperada (de 128 para 141) e aumento de 8 pontos no Índice de Situação Recente (de 75 para 82).

Comércio e Serviços foram os setores que apresentaram maior crescimento do Iscon desde abril, provavelmente por conta da redução das medidas de isolamento possibilitada pela melhora da situação da pandemia no período.

Por último, e empatados, Indústria e Serviços ficaram em terceiro lugar no Iscon de julho, totalizando 117 pontos. O Iscon de ambos foi o maior do ano.  É o terceiro aumento consecutivo do indicador da Indústria, acumulando um crescimento de 23 pontos desde abril. Já Serviços apresentou crescimento de 32 pontos desde abril.

MEI segue menos confiante

O Iscon que mais cresceu em julho foi o das empresas de pequeno porte (EPP): 135 pontos, 10 a mais em relação a junho. As microempresas (ME) fecharam com 124 pontos, 8 acima do registrado no mês anterior. E com um aumento de apenas dois pontos, o microempreendedor individual (MEI) fechou o mês com um Iscon de 113.

Cida Santana

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