Graduação e comunidade: TCCs que geram mudanças sociais e quebram preconceitos

Por: Beatriz Davino

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) é um dos passos mais importante na graduação, por isso é considerado pela maioria dos estudantes como um momento de tensão que assusta e causa ansiedade em vários acadêmicos. Apesar desse lado um pouco negativo, o TCC é uma pesquisa que pode gerar uma devolutiva impactante tanto para o aluno quanto para sociedade.

Segundo o professor e coordenador do Centro de Pesquisa, do Centro Universitário Funorte, Árlen Almeida Duarte de Sousa, o TCC precisa ter esse lado social, pois a função dele é buscar uma solução para o problema encontrado. “Toda pesquisa científica precisa apresentar uma relevância social, ou seja, ser desenvolvida com o objetivo de investigar e buscar soluções para problemas que acontecem com as pessoas ou no ambiente em que elas vivem”. Trabalhos que seguem um viés voltado para o social trazem benefícios para o acadêmico que pode agregar novos conhecimentos ou ter um olhar mais aberto às questões sociais.

Nesse contexto de problemas sociais, de acordo com o professor, Árlen Duarte, a pandemia trouxe uma adaptação no desenvolvimento das pesquisas cientificas. “Os trabalhos científicos adaptaram-se a nova realidade da pandemia, e assim, surgiu o uso de novas ferramentas online como o Google Forms, Google Meet, Zoom e entre outras para o desenvolvimento das pesquisas, e isso é muito interessante, pois o quebra fronteiras, visto que, o pesquisador pode mandar suas perguntas para pessoas de outros estados e até países, sendo assim, conseguindo mais informações sobre o assunto”.

A jornalista Mariana Isabel, é quem teve a iniciativa de desenvolver a pesquisa sobre o Coletivo, unindo de forma homogênea a assessoria e produção eventos

O TCC é a junção dos conhecimentos adquiridos pelo acadêmico durante o tempo que ele ficou na faculdade e todos os projetos que realizou, e isso é uma grande parte da pesquisa, porém o professor Árlen Duarte explica que não é a única. “O mais importante não é o cumprimento da etapa para finalizar o curso e sim se dedicar na investigação de um problema de pesquisa e buscar soluções que possam ser importantes para a sociedade; isso torna o TCC fundamental”.

Ele ainda diz que: “ao definir um projeto de pesquisa não podemos ter uma visão individual, precisamos considerar as necessidades da comunidade, aquilo que observamos somente ultrapassando os muros da nossa instituição”.

Esse é o caso de Mariana Isabel Santos Silva, jornalista e assessora, que ano de 2019, desenvolveu uma pesquisa sobre A influência do Coletivo Juventude de Terreiros na imagem do Candomblé e Umbanda em Montes Claros. Ela conta como surgiu a ideia de pesquisar sobre o tema. “Eu sabia que queria falar sobre comunicação e ia ligar isso a eventos. Porém, quando chegou o dia da pré-banca, os professores me alertaram que o tema não tinha nenhum impacto social e era muito óbvio. Então uma das minhas professoras falou sobre o Coletivo Juventude de Terreiro; pesquisamos mais sobre o tema, fomos conhecer a entidade e decidimos fazer o trabalho com eles por ser inovador e desafiador para nós.”

De acordo com a assessora, a graduação em jornalismo teve um peso fundamental na escolha e desenvolvimento do tema, pois ela pode quebrar vários preconceitos e ideias que tinha antes. Essa mudança de pensamento é comum em discentes que fazem trabalhos como o de Mariana Isabel; inclusive, o coordenador do Centro de Pesquisa diz que: “Os estudantes que investigam os problemas da comunidade e se empenham para buscar soluções para essas questões tendem a ver o mundo de forma diferente, se tornam mais críticos e formulam questionamentos mais relevantes para a sociedade”.

Nesse sentido, Mariana Santos falou que antes do trabalho a visão dela em relação às minorias era totalmente diferente, pois não tinha parado para refletir em toda história e sofrimento do povo do terreiro; além disso, durante o desenvolvimento do trabalho um sentimento de empatia cresceu nela.  “O TCC me fez ter empatia pelas pessoas do meu projeto. Não só por elas, mas por todas as outras minorias porque uma das coisas mais belíssimas que essas religiões têm é o fato de acolher as pessoas independente da sua raça ou gênero”.

Dessa forma, trabalhos assim mudam a mente de quem faz o trabalho e também de quem orienta, pois tanto o acadêmico quanto o orientador vão aprender juntos sobre essa problemática. Nesse sentido, a professora orientadora Ana Carolina Barbosa Rametta conta como foi a orientação do trabalho: “Foi maravilhoso, pois eu aprendi muito com elas sobre essa questão das religiões e o trabalho feito pelo Coletivo. Nós tivemos muito contato com eles e foi uma experiência incrível; digo que aprendi muito orientando elas.”

            A acadêmica conseguiu, no TCC, unir a assessoria com os eventos, os dois mundos em que sempre teve uma afinidade. Além de produzir um documentário, a dupla de pesquisadoras, Mariana Santos e Camila Miranda, organizou um evento, no Parque Municipal Milton Prates, em Montes Claros, no qual o Coletivo Juventude de Terreiro mostrou sua cultura e história para as pessoas que estavam presentes.

A influência do Coletivo Juventude de Terreiros na imagem do Candomblé e Umbanda em Montes Claros

Manuela Braga de Jesus, assessora parlamentar e coordenadora geral do Coletivo Juventude de Terreiro fala da importância do evento realizado para o projeto. “O trabalho que as meninas desempenharam foi de grande relevância para o nosso movimento, pois apresentou a religião de matriz africana de uma forma lúdica para a sociedade o que traz visibilidade para o nosso projeto”.

Santos revela que “foi ótimo, pois o projeto se tornou ainda mais conhecido e as pessoas puderam entender a importância de uma iniciativa assim dentro da sociedade. Saber que ajudamos um pouco nessa divulgação da Juventude de Terreiro para fortalecer o movimento deles foi perfeito porque o trabalho do Coletivo é brilhante e necessário”.

Trabalhos de Conclusão de Cursos mostrando as desigualdades sociais são uma ação fundamental, pois, com o esforço e dedicação dos acadêmicos e acadêmicas, a sociedade pode enxergar melhor seus problemas e, a partir disso, criar soluções para essas questões. Além disso, as instituições de ensino superior capacitam profissionais conscientes que podem ajudar os movimentos sociais na sua divulgação e difusão para terem mais voz e vez.

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