Pelo caminho dos Gerais: projeto propõe estratégias de conservação e restauração de áreas degradadas de parque estadual

 

No norte de Minas Gerais, o parque resguarda nascentes e tem relevância para a conservação de espécies da Caatinga e do Cerrado

 A implantação do eucalipto no norte de Minas Gerais nas décadas de 1960 e 1980, realizadas sem o manejo correto do solo, trouxe grandes danos ambientais para áreas de Caatinga e Cerrado. Dentre eles, o ressecamento de áreas de nascentes d’água foi um dos motivos que levou à criação, em 2007, do Parque Estadual Caminho dos Gerais, localizado na região. Um projeto, iniciado no mês de março, propõe a implantação de estratégias de conservação, restauração e manejo em áreas degradadas do parque.

Uma das professoras da UFMG que compõe a equipe do projeto, Maria Auxiliadora Pereira Figueiredo, explica que o parque tem grande relevância para a conservação da biodiversidade, contribuindo para a preservação de espécies dos dois biomas. Além da proteção de fauna e flora locais, o principal intuito da criação do parque, localizado na região do semiárido mineiro, era também proteger os recursos hídricos locais.

“A criação do parque foi resposta a um anseio da comunidade local, que após anos de convivência com extensas plantações de eucalipto sentiu a necessidade de recuperar a área. A fim de melhorar, principalmente, a produção de água para as comunidades à jusante, visto que se tratavam de plantios antigos”, comentou a professora. De acordo com Maria Auxiliadora, a falta de planejamento ambiental adequado, resultou no assoreamento de cursos d’água, levando a prejuízos na qualidade e quantidade da água na região.

O projeto, nomeado “Sendas”, foi aprovado em chamada do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) e será executado durante três anos em parceria pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), A Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e o Instituto de Ciências Agrárias da UFMG. Participam professores e estudantes do curso de Engenharia Florestal da UFMG e dos cursos de Biologia, Geografia, Agronomia e Desenvolvimento Social da Unimontes.

A equipe é composta por 16 professores das duas Universidades, além de envolver também estudantes da graduação, em atividades de ensino, pesquisa e extensão. De acordo com a professora da UFMG, serão realizadas atividades com as comunidades do entorno do parque, com o compartilhamento de metodologias de restauração de área degradada, além de monitoramento da flora, fauna e solo por meio de pesquisas científicas. Também estão previstas obras para a contenção de voçorocas e a construção de barragens para acúmulo de água da chuva.

De acordo com Maria Auxiliadora, a restauração pretende trazer as áreas à condição ambiental mais próxima à original. Desde março, parte do projeto já é realizada. Mas, em função das restrições sanitárias e legais impostas pela pandemia de covid-19, as atividades de campo serão intensificadas após o controle do período pandêmico.  “Esta pandemia esclarece, ainda mais, a importância da água para a manutenção da higiene e produção de alimentos. É de extrema importância que sejam realizadas intervenções que possam recuperar a vegetação nativa e melhorar as condições para produção de água nos ambientes”, reforçou a professora.

Também compõem a equipe do projeto pelo ICA, as professoras Letícia Renata de Carvalho, Nilza de Lima Pereira Sales e Rúbia Santos Fonseca.

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Texto: Amanda Lelis / ICA UFMG

 

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