Três meses após o registro do 1º caso, Norte de Minas vive pico tardio e casos quase quadruplicaram nos últimos 30 dias

Distância dos principais epicentros da doença justifica a ascensão somente agora; Número de óbitos segue a mesma curva em relação aos casos

Mais distante dos outros grandes centros do Estado e do País, o Norte de Minas vive o pico tardio de casos da Covid-19, com a tendência de que a ascendência seja mais intensa nas próximas semanas. Nessa segunda-feira (6/7), completaram-se exatos três meses desde a confirmação oficial do primeiro caso na região e a velocidade de subida da curva do Novo Coronavírus é bem nítida, como revela o trabalho mais recente divulgado pelo Departamento de Geociências da Unimontes.

Nos dois primeiros meses de registros da Covid-19 no Norte de Minas, entre 6/4 a 10/6, foram 422 registros positivos da doença. De 10 de junho até agora, os casos quase que se quadruplicaram, chegando a 1.641 em toda a mesorregião. Esta marcha incide agora em 75% do Norte de Minas, com 66 dos 89 municípios com pelo menos um contaminado no histórico. Em 10/6, eram 44 cidades com registro e, no início, em 6 de abril, havia apenas duas cidades com casos.

Este atual perfil da pandemia específico no território norte-mineiro é revelado nos novos mapas e gráficos gerados pelo Banco de Dados da Covid-19, desenvolvido por acadêmicos da disciplina Geografia da Saúde (bacharelado em Geografia) e professores do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Montes Claros. A base de números são os relatórios oficiais de casos positivos e óbitos da Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Até essa segunda-feira (6/7), foram registradas 41 mortes causadas pelo vírus na região, sendo 12 entre abril e 10 de junho; e as demais nos últimos 29 dias, projeção que acompanha a mesma proporção de aumento do número de contaminados.

LEITURA

Mesmo com as orientações por parte dos profissionais da saúde e gestores públicos, os pesquisadores da Unimontes ainda veem que a doença tem se disseminado de forma diferenciada nos municípios brasileiros e mineiros por causa das particularidades. É preciso considerar as diferenças físicas e socioeconômicas nos espaços de cada região: maior massa urbana, população, maior difusão dos comércios e prestação de serviços, sistema viário – dentre outros pontos.

“Entretanto, nessa análise física e socioeconômica do Norte de Minas, por ser mais distante da Grande BH (a área primeiramente infectada no Estado), a região foi afetada mais tardiamente”, explica a professora Iara Maria Costa da Silveira, responsável pela disciplina e pelo projeto, que conta com a participação do coordenador do curso de bacharelado, professor Gustavo Cepolini.

As imagens dos mapas e dos gráficos são construídas pelo acadêmico Alexon Alves (4º período), com a utilização de softwares de Sistemas de Informações Geográficas (SIG) com a base cartográfica do IBGE.

INTERFERÊNCIAS

Para entender mais esta expansão acelerada da doença pelos municípios do Norte de Minas de trinta dias para cá, considera-se justamente a interferência das malhas viárias comerciais e a condição de Montes Claros ser, também, um dos maiores eixos ferro-rodoviários do Brasil, integrando as diversas regiões brasileiras por meio de redes interestaduais. “O comportamento das pessoas, com mais liberdade diante da abertura recente de bares e comércios, influencia nessa curva e pode interferir no aumento dos números mais adiante, embora haja quem faça questão de seguir às regras e se isolar”, completa Iara Silveira.

Para o professor Gustavo Cepolini, é importante deixar claro que “a pesquisa ainda está em movimento e, por isso, não se deve isolar as causas e os conceitos”. Mas, ao mesmo tempo, entende que, diante destes dados mais atualizados, a necessidade do isolamento social continua bastante nítida, pois a tendência que os dados indicam, de alta no número de casos, coincide com a flexibilização pelo prisma econômico, que desfavorece e revela que a pandemia é algo muito desigual.

MAIS NÚMEROS

A mesorregião do Norte de Minas possui uma área de 128.454,108 km², com uma população de 1.712.194 habitantes em 89 municípios. Destes, 23 ainda não têm registros da Covid-19. Alexon Alves organizou, ainda, um comparativo do número de contaminados com o total de habitantes nas cinco cidades com a maior quantidade de casos da doença.

“A maior proporção de contaminados entre os cinco municípios com mais casos está na cidade de Salinas, com um caso positivo para aproximadamente 224 habitantes. Mesmo sendo a primeira cidade a decretar lockdown em Minas Gerais, os casos dispararam no município”, explica o acadêmico, que também tem a formação profissional de engenheiro civil. Em Janaúba, esta proporção é de 1/263, seguida por Espinosa (1/360) e Pirapora (1/559 habitantes). Já em Montes Claros, a relação é de 1 contaminado para cada 1.321 moradores do município.

Embora várias prefeituras façam a sua divulgação independente sobre casos e óbitos da Covid-19, este estudo da Unimontes considera somente os boletins diários da Secretaria de Estado de Saúde (SES). Não utiliza fontes distintas porque nem todos os municípios da região têm a mesma disponibilidade de divulgação dos dados de forma mais ágil.

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Ascom: UNIMONTES

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