“Minha faculdade é o sertão”, diz escritora Amelina Chaves ao receber título Honoris Causa da Unimontes

Aos 89 anos, com 16 filhos vivos e aproximadamente 30 livros publicados, a escritora Amelina Chaves, natural do Bairro Sapé, em Capitão Enéas (Norte Minas), resumiu, carregada de emoção, a alegria de receber o título de Doutora Honoris Causa da Unimontes: “minha alma está de joelhos”. A solenidade de entrega do título, aprovado pelo Conselho Universitário, foi presidida pelo reitor Antonio Alvimar Souza, na noite de quarta-feira (16/10), no auditório do prédio 6, no campus-sede da Unimontes.

No breve discurso, a escritora disse que, quando pequena, montou “no mesmo cavalo do escritor Guimarães Rosa e, pela escrita, desbravou todo o sertão, onde fiz minha faculdade e me tornei doutora no sertão”.

Em seu pronunciamento, o reitor Alvimar Antonio Souza destacou a satisfação em conceder o título – honraria máxima da instituição superior – para uma mulher sertaneja, cuja trajetória de formação está ligada à valorização da “universidade chamada sertão, que oferece vasta experiência sobre o homem sertanejo, sua cultura e que carrega conhecimentos e saberes regionais. Nós somos fruto das nossas experiências intelectuais e espirituais, que também estão vivas no entorno das questões da Universidade”, disse.

A vice-reitora da Unimontes, professora Ilva Ruas Abreu, também enalteceu o papel da escritora para a região e enfatizou o histórico de Amelina Chaves como mulher guerreira, forte, sertaneja e exemplo. “A força de Amelina Chaves se avoluma, inquestionavelmente, quando alicerçada na persistência, no trabalho árduo e, em um esforço pessoal, tendo como receita extra e prazerosa a literatura, trabalhando, de forma inteligente, as palavras para narrar histórias, tradições e desejos dos seres humanos fincados no sertão do Norte das Minas Gerais”.

“O conjunto de obras da escritora Amelina Chaves a credenciou como integrante da Academia Montesclarense de Letras (AML), da Academia Feminina de Letras de Montes Claros e do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros. O livro “O Flagelado, Príapo de Ébano”,de autoria da nova Doutora Honoris Causa, foi indicado para o PAES/Unimontes (3ª etapa) em 2019”, lembrou o professor da Unimontes, Antônio Wagner Veloso Rocha, durante pronunciamento.

INTERAÇÃO COM A ACADEMIA DE LETRAS

No encerramento da solenidade, o reitor Antonio Alvimar destacou os esforços da atual gestão superior da Unimontes na busca da aproximação com outras instituições. Nesse sentido, “estamos propondo um estreitamento com a Academia Montesclarense de Letras e outros movimentos culturais que valorizem a literatura local, nosso artesanato, nossa arte e nossa terra. Um povo que não tem memória é um povo que não tem história”, acrescentou o reitor.

Participaram da mesa de honra o presidente da Academia Montesclarense de Letras, Itamaury Teles de Oliveira; o presidente da Academia Maçônica de Letras, Wanderlino Arruda; a escritora e integrante da Academia Montesclarense de Letras, Glorinha Mameluque, e o representante do 55º Batalhão de Infantaria (BI) do Exército, tenente Diego Silva Prates. Também estiveram presentes os pró-reitores, professores, acadêmicos, servidores, familiares e convidados.

Este é o terceiro título de Doutor Honoris Causa concedido pela Unimontes neste ano. Nos dias 23 e 24 de setembro, foram feitas as entregas dos títulos para o prefeito de Montes Claros, Humberto Souto, e para o agricultor e ambientalista Braulino Caetano dos Santos, respectivamente. Em outubro de 2018, a honraria foi entregue ao poeta norte-mineiro Aroldo Pereira, autor de vários livros, idealizador e coordenador do Salão Nacional de Poesia Psiu Poético.

 

Texto: Ascom Unimontes

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