33° Festival de Arte Contemporânea no Psiu Poético Psiu-Cinema recebe Glauco Mattoso

Receber a proposta de cantar uma composição do Glauco Mattoso no 33º Psiu-Poético de Montes Claros-MG, certamente foi um dos melhores presentes que recebi em 2019. No proposto por Aroldo Pereira, foi aceito  o desafio de iniciar  uma  pesquisa sobre esse artista de grande importância para a cultura (e aqui vale destacar a cultura politizada). “Brinda o público com recursos artísticos verdadeiramente valorosos para o cenário cultural brasileiro, no que se refere a tomada de consciência política em exercer o papel da arte em sua essência, o que significa, traduzir os contextos e mazelas sociais a partir dos sentimentos subjetivos e da insatisfação do ser humano, pelas impressões que eles têm sobre o mundo” – esclarece Aroldo.

Glauco Mattoso tem uma trajetória pelo cenário cultural literário desde a década de 70, quando participou do grupo de resistência “poetas marginais”, lutando bravamente contra a ditadura no Brasil. Em época, Glauco também publicou o fanzine poético-panfletário Jornal Dobrabil, o que é um trocadilho com o Jornal do Brasil e o formato dobrável dos folhetos satíricos. Ele ainda colaborou em diversos periódicos da imprensa alternativa, como por exemplo, o tabloide gay Lampião e o humorístico O Pasquim. Na década de 80, publicou trabalhos em revistas como Chiclete com BananaTralhaMil PerigosSomTrêsTop RockStatus e Around, ensaios e críticas literárias no Jornal da Tarde, além de diversos volumes de poesia e prosa. Em 1982, edita a Revista Dedo Mingo, como um suplemento do Jornal Dobrabil. Quando descobri sobre a cegueira que o afetou completamente na década de 90, me dei conta do quão árdua se tornou a sua luta, ao mesmo tempo, fiquei admirado pela sua coragem e disposição para lidar com as adversidades da vida e tirar delas maneiras inteligentes de viver. Nesse sentido, a partir daí, nasce de Pedro José, o pseudônimo de Glauco Mattoso. Após deixar de lado a criação gráfica de histórias em quadrinhos e poesia concretas, o artista passa a se dedicar em escrever letras de músicas e à produção fonográfica exclusivamente. Em tempo, Glauco ainda ganha o Prêmio Jabuti, prêmio literário mais tradicional do Brasil, concedido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), criado em 1959 e idealizado por Edgard Cavalheiro, juntamente com o professor Jorge Schawartz, pela tradução que ambos fizeram da obra inaugural de Jorge Luis Borges, intitulada de Fervor de Buenos Aires.

Para Aroldo , receber um desafio como este é assumir a grande responsabilidade de representar um artista que representa, que fala de questões políticas e sociais de maneira pontual, exprimindo, se importando e exportando a partir da arte, a sua percepção do mundo e assim, expandindo consciências. ” A arte é a nossa ferramenta, pra não dizer arma, mais poderosa e com ela podemos atingir lugares visíveis e invisíveis. Realizar esse trabalho, com essa importância, e que vem de um artista o qual literalmente sabe o que isso significa, é uma honra, como eu já disse, é um presente. Por isso, convido a todos, você que acompanham o meu trabalho e o trabalho do Glauco, venham assistir e se divertir, ser arte e fazer parte desse todo cultural que é a cena contemporânea proposta pelo Psiu, esse ano com a temática de Psiu Cinema”. finaliza.

 

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