Legado de Zé Coco do Riachão às gerações futuras marca homenagem na abertura do “A Gosto da Unimontes”

“Aprendi a tocar sanfona ainda com quatro anos, com o meu pai. Desde então, aonde ele ia, lá estava eu, fosse missa, casamento ou festa religiosa”. O legado que Luiza Rodrigues aprendeu com o seu pai, Zé Coco do Riachão (in memoriam) é justamente a mensagem que propõe o “A Gosto da Unimontes”, projeto cultural da Universidade Estadual de Montes Claros. “Estamos aqui para ensinar às gerações mais novas o gosto pela cultura”, observou o reitor Antonio Alvimar Souza, na solenidade oficial de abertura do evento, na noite dessa quarta-feira (29/8), na Biblioteca Central do campus-sede.

A edição deste ano do “A Gosto da Unimontes” faz homenagem a José dos Reis Barbosa dos Santos, nome de registro de Zé Coco do Riachão, músico, luthier, compositor e artesão norte-mineiro. Nascido em 1912 e “tocador” de viola, sanfona e rabeca desde a infância, foi somente aos 68 anos que foi descoberto pelo mundo por causa da originalidade dos seus arranjos. Sua obra chegou a países como a Alemanha, onde foi apelidado de “Beethoven do Sertão”.

Aos 77 anos, a filha única Luiza Rodrigues representou o homenageado – falecido em 1998. Fez um breve pronunciamento para falar sobre a iniciativa da Unimontes e preferiu agradecer à moda do pai, com música. Ao som da sanfona, que não tocava há décadas – e acompanhada de uma viola de dez cordas –, abriu a performance com “Laranja Doce”, primeira composição que Zé Coco lhe ensinou.

Na sequência da apresentação, foram mais sete canções, algumas do “Voo das Garças”, um dos três discos gravados pelo pai, e outras que são vistas como ícones regionais como “Amo-te Muito”, de João Chaves, e o domínio popular “Cálix Bento”. A professora Andrea Martins, do Departamento de Comunicação e Letras da Unimontes, fez a apresentação da biografia de Zé Coco, com quem conviveu como vizinha na comunidade de Riachão (município de Mirabela). Um documentário sobre o homenageado também foi exibido ao público. Luiza recebeu a obra do artista Hélio Brantes e entregue pelo coordenador de extensão cultural Igor Coimbra e pelo pró-reitor de Extensão, Paulo Eduardo de Barros.

EXPOSIÇÕES, CORAL E VIOLEIROS

A noite foi marcada, ainda, pelo lançamento do 4º exemplar da coleção “Sertão”, pelo Núcleo de História e Cultura Regional da Unimontes (Nuhicre), a exposição de objetos e imagens sobre Zé Coco e a II Mostra Fotográfica Geograficidade “Clicar Popular”, sobre a expedição por 282 KM do Rio São Francisco no Norte de Minas.

E, ainda, por outras autênticas manifestações culturais do Norte de Minas, como a apresentação de viola e rabeca dos irmãos Antônio Vieira Dias (Tone de Bernardo) e Manoel Vieira (“Conceição”), do distrito de Sobradinho, em Guaraciama, com canções inspiradas também na obra de Zé Coco do Riachão. Carpinteiros, pedreiros, artesãos e lavradores, os dois são foliões desde a infância. Foi com a mãe que aprenderam o ofício da música na viola, rabeca, caixa, craviola e teclado.

Se a missão é ensinar aos mais novos as raízes regionais, também de Guaraciama (comunidade de São Pedro do Rio Félix), o público pôde acompanhar a apresentação do projeto social “Canto do Guará”, de iniciação musical para 50 crianças e jovens entre 7 e 17 anos. Beth Alves Meira é a coordenadora das atividades, que conta – e muito como ela diz – com a ajuda da população simples do local para manter as ações.

Após a apresentação de quatro músicas do coral infanto-juvenil, Beth fez um depoimento emocionado para “agradecer à Universidade por ter se lembrado do projeto” para um evento tão representativo. O curso de Extensão em Música (CEM), da Unimontes, é parceiro nos trabalhos com oficinas de canto e de instrumentos.

Ascom: Unimontes

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